A crise do capitalismo global: bolhas especulativas e os novos espaços de acumulação na periferia

The crisis of global capitalism: speculative bubbles and the new spaces of accumulation in the periphery

  • Francisco Luiz Corsi
  • José Marangoni Camargo
  • Agnaldo Santos
Palavras-chave: crise, capital financeiro, taxa de lucro, periferia, acumulação de capital

Resumo

O objetivo do presente artigo é discutir a crise do capitalismo global aberta a partir de 2007, enfatizando o papel da periferia do sistema neste processo. Embora o epicentro da crise tenha sido os EUA, o centro hegemônico do capitalismo, os países periféricos têm ganhado crescente importância na dinâmica da acumulação de capital nas últimas décadas. O fio condutor da análise é o comportamento da taxa de lucro, variável que sintetiza múltiplos determinantes e comanda o processo de acumulação. Abordamos a questão a partir de uma perspectiva histórica, pois defendemos a tese segundo a qual a atual crise só pode ser compreendida no bojo das transformações ocorridas no capitalismo como resposta à crise estrutural da década de 1970. Dentre essas transformações, que visavam responder a queda da rentabilidade e ao acirramento da luta de classes, salientamos o inchaço da esfera financeira, que acompanhado de crescente endividamento e de bolhas especulativas intensificaram a instabilidade do sistema, e a abertura de espaços de acumulação na Ásia, que se expandiram de forma articulada a economia norte-americana. A nova configuração do sistema criou as condições para o predomínio do capital financeiro na fase de mundialização do capital. Estes processos impediram que a economia mundial entrasse em profunda depressão a partir dessa época e sustentaram, em boa medida, a acumulação de capital. A crise atual coloca em questão este padrão de desenvolvimento e a capacidade de os EUA manterem-se como centro hegemônico do capitalismo.

 

Abstract: The aim of this article is to discuss the crisis of global capitalism initiated in 2007, emphasizing the role of the periphery of the system in this process. Although the epicenter of the crisis has been the US, the hegemonic center of capitalism, peripheral countries have been growing in importance in the dynamics of capital accumulation in recent decades. The driver of the analysis is the behavior of the rate of profit, a variable that synthesizes multiple determinants and controls the accumulation process. We approach the question from a historical perspective. We defend the thesis according to which the current crisis can only be understood in the wake of the transformations that occurred in capitalism as a response to the structural crisis of the 1970s. Among these transformations, which aimed to respond to the decline of the profitability and the intensification of the class struggle, we highlight the swelling of the financial sphere that accompanied by growing indebtedness and speculative bubbles, intensified the instability of the system and the opening up of the accumulation spaces in Asia, which have expanded in an articulated way with the American economy. The new configuration of the system created the conditions for the predominance of financial capital in the phase of globalization of capital. These processes prevented the world economy from going into deep depression from that time on and sustained, to a large extent, the accumulation of capital. The current crisis calls into question this pattern of development and the ability of the U.S. to remain as hegemonic capitalism center.

Keywords: Crisis; Financial Capital; Profit Rate; Periphery; Capital Accumulation.

Biografia do Autor

Francisco Luiz Corsi

Professor de Economia Política da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC). Doutor em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Desenvolve pesquisas na área de história e desenvolvimento econômico, com ênfase na inserção das regiões periféricas na economia mundial.

José Marangoni Camargo

Professor de Economia Política da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC). Doutor em Economia pelo Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Desenvolve pesquisas na área de agricultura, comércio de produtos agroindustriais, inovação tecnológica, emprego e distribuição de renda.

Agnaldo Santos

Professor de Economia Política da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC). Doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Desenvolve pesquisa em Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento, com ênfase em desenvolvimento tecnológico. 

Publicado
2018-09-17
Seção
Artigos