Hegemonia ou Governança Global Compartilhada. O que a China pensa?

Hegemony or shared governance. What China thinks?

  • Luís Antonio Paulino Unesp-Marília
Palavras-chave: China, Estados Unidos, Hegemonia

Resumo

Frente à experiência histórica do Ocidente, na qual o ciclo de hegemonia, competição, guerra e nova hegemonia tem se repetido desde que o Tratado de Vestfália, em 1648, criou o atual sistema de estados-nação independentes, a ascensão recente da China à condição de grande potência e o concomitante declínio do “soft power” e do “hard power” dos Estados Unidos  tem  levado muitos a prever um inevitável confronto entre os dois países na disputa pela hegemonia mundial. Mesmo nos Estados Unidos, a preocupação de que a China possa vir a tomar seu lugar como potência hegemônica global tem gerado reações fortes, com a China sendo apresentada para a opinião pública como o inimigo a ser contido e derrotado. Os chineses, por seu turno, alegam que a lógica poder-hegemonia está baseada na experiência histórica dos países ocidentais e que a mesma não se aplica ao caso da China. Afirmam que não é da natureza da China buscar a hegemonia, que a China pode alcançar o desenvolvimento sem buscar a hegemonia e que a busca da hegemonia seria um convite para sua própria destruição. Para os chineses, o atual sistema de governança global pelo Ocidente está em desacordo com o atual balanço de poder mundial e, por isso, advogam um novo modelo de governança compartilhada entre o Ocidente e o Oriente.

 

Abstract: In the face of Western historical experience in which the cycle of hegemony, competition, war and new hegemony has been repeated since the Treaty of Westphalia in 1648 created the present system of independent nation-states, China's recent rise to the condition of great power and the concomitant decline of soft power and hard power in the United States has led many to foresee an inevitable confrontation between the two countries in the struggle for world hegemony. Even in the United States, concern that China may take its place as a global hegemonic power has generated strong reactions, with China being presented to public opinion as the enemy to be restrained and defeated. The Chinese, for their part, claim that the logic of power-hegemony is based on the historical experience of Western countries and that it does not apply to the case of China. They assert that it is not China's nature to seek hegemony, that China can achieve development without seeking hegemony and that the pursuit of hegemony would be an invitation to its own destruction. For the Chinese, the current system of global governance by the West is at odds with the current balance of world power and therefore advocate a new model of shared governance between the West and the East.

Key-words: China, United States, Hegemony

Biografia do Autor

Luís Antonio Paulino, Unesp-Marília

Doutor em Teoria Econômica pela Unicamp e professor livre-docente em Economia Chinesa Contemporânea na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp/Campus de Marília. Atualmente exerce a função de diretor do Instituto Confúcio na Unesp e é membro honorário do Conselho da Matriz do Instituto Confúcio, em Pequim

Publicado
2018-11-12