Heidegger e Agostinho: o fenômeno da tentatio e a historicidade do si (Selbst) na apropriação fenomenológica do livro X das Confissões

Palavras-chave: Cura, Vida, Fenomenologia, Cristianismo das origens, Facticidade

Resumo

O artigo trata do fenômeno da cura segundo a apropriação fenomenológica do Livro X feita por Martin Heidegger no curso friburgense intitulado Augustinus und der Neuplatonismus (SS1921). Pretendo apresentar o fenômeno da tentação e a historicidade do si: segundo a apropriação genuína do ser da vida de Agostinho, a “tentatio” (Versuchung) torna-se expressão da mobilidade da existência histórico-atuativa, que jamais pode ser compreendida como “quietude”. É a vida mesma que, assumida em sua totalidade, representa uma “tentação”, uma provação – entendida em sentido ontológico-existencial – na medida em que indica o “como” (Wie) da atuação da facticidade. Na procura deste “como” originário surge a interrogação fundamental do que vem a ser a vida para si mesma: quaestio mihi factus sum (fiz de mim mesmo uma questão). Descortinamos na perda de si do “eu sou” o processo da temporalização como deformitas, como o defluxus na distração, como a queda no “inautêntico”. Com base nesta apropriação contemporânea do ser da vida de Agostinho chegaremos ao âmago do fenômeno da cura, compreendendo o curare como caráter fundamental da vida fática e reconhecendo na procura de Deus a constituição da facticidade e da cura de si que nesta procura se expressa.

 Recebido: 30/12/2019
Aceito: 30/12/2019

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Bento Silva Santos, Universidade Federal do Espírito Santo

Professor Titular no Departamento de Filosofia, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES – Brasil. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (Mestrado /Doutorado) da UFES. Bolsista de Produtividade em Pesquisa, Nível 02, do CNPq.

Publicado
2020-01-30
Seção
Artigos/Articles